A Origem

Conta a lenda que ...

Idade média, Norte da Alemanha, próximo e onde hoje se localiza Lübeck e Hamburgo.

Sentado em um enorme jardim, um homem olhava com carinho para a sua única filha e lembrava o quanto fora difícil quando sua mulher falecera no parto dessa menina. O tempo passou, e a menina agora, uma linda adolescente de cabelos louros e lindos olhos azuis, estava completando 18 anos e o pai, sonhava com a enorme felicidade que seria quando essa moça casasse e lhe desse um neto para perpetuar seu nome. O destino, as vezes brinca com os sentimentos das pessoas. A linda donzela apaixonou-se por um aldeão e com ele fugiu, sabendo que seu pai nunca aceitaria essa união. O pai quando soube, não teve dúvidas, renegou a filha e jurou que nunca haveria nem de vê-la e a seus descendentes. Algum tempo depois, estando o velho pai participando de uma caçada, viu à beira da estrada um lindo menino, que quando o viu correu para o seu lado. O velho homem já bastante solitário e bastante comovido sentiu uma grande atração por aquela criança. Todos os dias passava sempre pelo mesmo lugar, apenas para poder ver aquele menino com quem conversava muito. Um dia ele ficou sabendo que aquele menino era o neto que ele renegara. Tomado de grande sentimento de culpa, deu perdão à sua filha e ao seu neto a quem deu o nome de RODERUS, nome composto das palavras do Antigo Alto Alemão, dialeto usado naquela época, Rat, que significa conselho ou advogado e Heri, Hari que significa exército. Daí surgiram os Rehder, cujo nome significa no dialeto Antigo Auto Alemão os filhos de Roderus, ou talvez aqueles que vieram de Roderus, aquele que trabalhava com farinha ...

Há várias explicações possíveis para a origem do sobrenome alemão REHDER e suas variantes, Reder, Reiders, Redder e Reeder.

Na maioria das vezes este sobrenome é Patronímico em sua origem , denotando " filho de Rehder", a variante do antigo nome pessoal Raderus, composto de palavras da Antiga Alta Alemanha "rat" que significa advogado e "heri" que significa exército.

Alternativamente, este sobrenome é ocupacional em sua origem , derivado de comércio ou profissão.

Aqui o nome é proveniente da Média Alemanha Alta "reder" indicando "aquele que peneira farinha" e que deve ser um trabalhador ou aprendiz.

Em ambos os casos, este sobrenome é toponímico na origem, significando "aquele que quem descende de Rheder" , o nome de lugares na Rheinland e Westphalia.

Finalmente é também possível que Rehder é derivado da Média Alemanha "redaere" que indica " aquele que foi um advogado de outro".

Este sobrenome e variantes é gravado logo em 1284 quando Joh, filius Rederi é listado como morando em Hemburgo.

Reder fil.Anken aparece gravado na mesma cidade em 1300 e em 1317 um Reder Knop é mencionado como vivendo em Lübeck.

Helmold Reders viveu em Stralsund em 1356 e em 1367 Digin Redere aparece relacionado em Grünenberg, Hesse.

Hans Rederer aparece em 1396 e Joh.Rheder foi pastor em Oberofleiden, Kassel, em 1535.

A morte de Hans Rehders, Bürger-Capitän de Hamburgo é registrado em 1684 e Lucas Rehders, Bürger-Capitän, morreu em 1719.

Brasão de Armas:

Fundo prateado e um terraço com uma árvore frondosa e em frente a árvore um cervo saltando.

Prata representa a lua, e indica pureza, inocência e obediência.

A árvore é símbolo de grande força e antiguidade.

O cervo tem suas patas dianteiras sangrando. O cervo representa Fertilidade e Coragem.

 

Rehder Aus Barbek                         ( por Volker Rehder)

 

Esta família é originária da vila de Mühlenbarbek em Holstein no Norte da Alemanha.  O primeiro registro era de um cavaleiro chamado Rederus de Barbek em 1339. Este registro se refere a um pacto de não vingança entre alguns cavaleiros: “ Na presença de todas as testemunhas oculares e auditivas, nós, Heydenricus, Thetluus e Helricus, chamados irmãos Zeuneken, o soldado Thetleuus de Campen, Marquard e Johannes de Campen, Dietrich Beydenfleth, Heinrich Zeuneken, Peter Plate, Berthold de Seltzinghen, Gehard Hoken, Dosodhamersfleth, Thitbernus e Rederus de Barbek, Thithbernus Kreyenfleth, Hartwicus Uhrendirf, Willekin Suederau, Hinricus Breyde e Wolderus de Damme, cavaleiros que seja sabido e devidamente testemunhado na presença de todos, que nós Heydenricus, Thetleuus e Helricur então conhecidos como Irmãos Zeuneken prometemos com um aperto de mão e com esse documento, aos honoráveis senhores, os anciãos de Hamburgo e Rostock e todos seus cidadãos, e a cada pessoa em especial a Heinrich Zobben a segurança da qual nós coloquialmente chamamos de juramento de não vingança, para nós mesmos e nossos herdeiros, nossos parentes e amigos e para todos, e qualquer um que nos tenha feito alguma coisa ou nos negado um favor, aos recém-nascidos e aos que hão de nascer futuramente, que este juramento deve ser mantido inquebrável e válido para sempre. Ainda afirmamos, que nós e nossos herdeiros parentes e amigos, nunca nos vingaremos, diretamente ou indiretamente, em público ou em segredo, nem nos lembraremos de um modo ruim, que o referido Heinrich Zobben, e nós Heidericus e Helricus, os referidos Zeuniken, fomos presos na comunidade de Hamburgo e que também os anciãos de Hamburgo nos mantiveram em sua custódia. Prometemos ainda neste documento, que nós, os referidos anciãos de Hamburgo e Rostock, seus cidadãos e o próprio Heinrich ( Zobben) ,na medida do possível sempre lhe oferecemos transporte seguro. Por todas as testemunhas deste ato, estão afixadas nesse presente documento todos os nossos selos. Dito e feito em Hamburgo, no ano de 1339, um sábado antes do feriado de São João Batista”.

Nossos ancestrais eram membros da tribo teotônica dos Saxões ( não idênticos à moderna Saxônia), os quais viviam em Holstein já no tempo em que Cristo nascia.

Os fazendeiros livres de Holstein tinham que prestar serviço militar ao seu conde nos tempos de guerra. O serviço militar era costume comum às pessoas especiais da vila. Por seu serviço militar nos tempos de guerra e a fortificação das casas das fazendas (as chamada cúrias), esses soldados (armigeri) eram pagos com bens naturais através dos quais obtinham direitos. Por feitos destacáveis, eles seriam então declarados cavaleiros ( milites) .

Depois das cruzadas contra as tribos eslavas no lado leste de Holstein ( Wenden), muitos cavaleiros saxões se marginalizaram, organizando ataques a mercadores e mosteiros. Uma aliança das cidades de Hamburgo, Lübeck e Rostock em 1338, iniciou uma luta contra esses roubos. Em 1339 um bando liderado pelos irmãos Zeuneken foi presa nos calabouços de Hamburgo.

Para evitar a desgraça do conde de Holstein ( Gerhard III, o Grande), esse bando foi libertado após um tratado de “não vingança”; entre eles estavam Rederus e Thitbernus que vinham de Barbeck.

Sabemos por meio de outro documento, do ano de 1341, que Thitbernus era filho de Rederus. Era comum na época que o neto fosse chamado novamente de Rederus para que assim o nome passasse através de futuras gerações. Finalmente, por volta de 1400 todos tiveram que escolher um nome de família, e na maioria dos casos, esses nomes passados por gerações se tornaram sobrenomes. Para o nome Thitbernus, o sobrenome familiar Dibbern foi criado, mas o nome nunca veio aparecer em Barbeck.

A fazenda fortificada de Rederus , sua cúria, era tida desde antigamente como sendo situada no centro de Barbeck numa área conhecida como Höftkamp. Pesquisas arqueológicas de 1964 vieram confirmar essa teoria.

Em 1520, todos os fazendeiros de Mühlenbarbek ( como agora é chamada, desde que um  nova vila foi criada em 1534 e batizada Lohbarbek) foram listados pela primeira vez. Na fazenda da área da Höftkamp, estava exatamente localizada a cúria de Hans Rehder. É muito alta a probabilidade desse Hans Rehder, nascido por volta de 1490, ser descendente de Rederus.

Nesta fazenda, o nome de Hans Rehder é listado como proprietário até 1590. Na fazenda vizinha, o proprietário Hans Wolders era listado até 1617. No início de 1591, o velho Hans Wolders é listado como proprietário e depois de 1617, nosso ancestral Hans Rehder, nascido por volta de 1590 é mencionado como o novo dono da fazenda de Wolders.

Depois disso, esse homem chamado de Hans Wolders, tornou-se dono somente da fazenda vizinha acima descrita.

É óbvio que as duas famílias são aparentadas e estavam trocando de casas. Acredita-se que a razão seja  porque o último Hans Rehder da primeira fazenda tenha morrido novo, e que seu sogro tivesse trabalhado nesta fazenda até que o jovem Hans Rehder atingisse a maioridade. A duração dos pontos na linha de tempo são baseadas no fato de que a maioridade era atingida aos 25 anos.

Com a mais alta probabilidade, Rederus de Thitbernus de Barbek são os ancestrais de nossa família !!.

A outra fazenda pertenceu à nossa família até 1868. A fazenda vizinha nos pertence desde 1742 até os dias atuais.

Outras fazendas pertenciam à Jakob Rehder e Peter Rehder de 1520 a 1617, mas o grau de parentesco é desconhecido.

 

 

 

FILHOS DO MAR

 

                                                 (Germano Rehder)

 

Pergunte a um cristão qual sua origem e a resposta certamente será: Vim de Deus e para Deus voltarei. Esta é a afirmativa de Jesus Cristo na visão espiritual e macrogênica do Homem. E isto bastará, se não quisermos saber mais sobre o Pai. De fato em nossa concepção tridimensional da matéria, estamos muito satisfeitos e cheios de fé.

Antigamente os povos hebreus tinham por costume fazer sua árvore genealógica e certamente todos eram descendentes de Adão. Notem desde o início nossa herança patriarcal. A mãe sempre ausente para fins de hereditariedade. Culpa da maçã ...

O Brasil originariamente era habitado pelos índios até a chegada dos descobridores, que sob a bandeira da colonização caíram de amores pelas lindas e nuas silvícolas. Quem já não ouviu falar dos deuses que se apaixonaram pelas humanas e as fecundaram, gerando semi-deuses ? A História se repetiu nos litorais e matas adentro deste grande país, dando crédito ao que nada se cria, apenas se repete o que já existe.

Apesar dos 500 anos, realmente somos muito jovens diante os milênios de outras nações, entretanto a grande massa de nosso habitantes é geneticamente portador de DNA  antiquíssimo. Recentemente cientistas europeus estiveram em tribos afastadas da civilização no norte do Brasil, colhendo amostras de sangue de nossos conterrâneos indígenas, para estudos posteriores do sobre o DNA puro, isto é, nunca se misturaram com outras raças. Dizem que é para produzirem vacinas e aperfeiçoarem a cura de diversas moléstias que a promiscuidade racial gerou. Lembra-nos muito Hitler e a tão almejada supremacia da raça ariana.

Ponho em dúvida se a maioria dos brasileiros sabem sobre si mesmos, além dos seus avós e de sua herança racial. Não temos uma cultura suficientemente arraigada que nos remonte aos primórdios   do sobrenome, não que isso seja motivo de casta, mas sim como conhecimento de nossa própria natureza, do si mesmo.

Anda muito em voga as Terapias  de Vidas Passadas, que qualquer simpatizante ou espiritualista já as fez e isto tem criado muito ex-sacerdotes, ex-soldados romanos, ex-princesas, etc. e tal. Sabe-se superficialmente das grandes reencarnações passadas e não se dá valor às características raciais e culturais, geradoras da índole, costumes e virtudes presentes na sociedade atual. O Brasil quanto nação leva enorme vantagem sobre as demais justamente porque  é um cadinho alquímico onde várias raças se cruzaram entre si , fazendo-nos mais tolerantes, compreensivos e destituídos de qualquer preconceito de raça, credo ou cor, justamente por sermos frutos deste ecumenismo sexual.

Lá pelos fins de 1800, meu bisavô, luterano alemão, loiro de olhos azuis se apaixonou pela morenice de uma filha de mulato com português a além de tudo católica. Casaram-se. O preço pago pelos encantos e a beleza da raça negra foi o banimento do seio familiar. As famílias eram mais “unidas” e conviviam quase que só entre si. Como nosso Presidente Fernando Henrique , descobri o meu pé na cozinha também, o que muito me orgulha, pois adquiri geneticamente as virtudes da raça africana, bem como um pouco da rebeldia pois carrego genes de antepassados que sofreram a escravidão forçada. Enfim tudo se justifica.

Pode-se dizer que todos somos filhos do mar, pois as grandes migrações para o nosso continente vieram pelas caravelas e navios sacolejantes sobre águas salgadas. Hoje e passado recente muitos vêem pelo ar. Sinais dos tempos.

Todo o espírito de casta , facção, religião, nacionalismo e todas as manifestações  de egocentrismo são os causadores das guerras e dores do planeta. John Lennon , como avatar moderno retratou um mundo melhor em “Imagine”, se puderem ler a letra minuciosamente verão os anseios de uma nova realidade em paz e amor.

O Brasil tem a semente da miscigenação em seu sangue, daí receber a benção para ser a Pátria do 3o Milênio e se unir novamente a Deus.

 

 

BREVE HISTÓRIA DE SCHLESWIG-HOLSTEIN

 

                                                                                              (Sa ndro Rehder)

 

Para entender as razões pelas quais os Rehder resolveram sair da Europa, faz-se necessário conhecer um pouco da história de Schlewig e Holstein, hoje localizados no extremo norte da Alemanha. Este fato não tem como objetivo relatar com precisão a história dessa região, para tal recomendo ao leitor, uma pesquisa mais específica sobre o assunto.

Por volta de 1850, as coisas não pareciam muito boas para os habitantes da região de Schleswig-Holstein, oficialmente parte do Reino Dinamarquês , porém sob forte influência do Império Prussiano. Interessante, constar  que embora unida a Schleswig, Holstein era uma região de cultura predominantemente alemã.

Você deve estar se perguntando  o porquê  de Schleswig e Holstein serem considerados único território. No ano de 1386, a rainha Margaret em busca de apoio político, presenteia o Conde Gerhard IV de Rendsburg (localizado em Holstein) com a região  dinamarquesa de Schleswig. Quando Gerhard é morto na batalha de Dithmarschen em 1404, Schleswig-Holstein fica então sob intensa disputa de seus herdeiros. A situação somente fica resolvida quando Christian I torna-se rei da Dinamarca em 1448. Por ser de família oriunda da região de Holstein, em documento por ele assinado em 1481, é decretado que os dois ducados devem ser para sempre indivisíveis. Isso assegura, que mesmo tendo cultura alemã, Holstein deve ser unificada a Schleswig, tornando-se assim esta, parte integral do reino da Dinamarca.

Em meados de 1800, o Reino da Dinamarquês, outrora próspero, entra em declínio após sua aliança com a França. Por conseqüência de sua derrota nas guerras napoleônicas (1814), o país mergulha numa forte crise política econômica. Os ducados de Schleswig e Holstein descontentes com a situação , criam um governo provisório no ano de 1848, reconhecidos por Berlim ( Prússia ) e Frankfurt(Confederação Germânica).

A Dinamarca não se importava com as ligações entre Holstein e a Prússia, mas não desejava perder Schleswig. Os laços entre os dois ducados é grande, e por causa de resolução de 1481, que declara que ambos são indivisíveis, é desencadeada então uma guerra para que toda a região se torne independente.

A guerra se arrasta de 1848 até 1851, culminando na ocupação de Schleswig por tropas prussianas, suecas e norueguesas. Apenas em “maio de 1852” é assinado o Tratado de Londres, que separa ambos os ducados, retornando Schleswig à Dinamarca. Holstein se torna um estado independente filiado à Confederação Germânica.

Alguns anos mais tarde, a Prússia, através dos esforços do Marechal Otto Von Bismarck, busca sua auto-afirmação como peça fundamental no processo de unificação dos 39 estados independentes aglomerados pela chamada Confederação Germânica. Schleswig-Holstein torna-se então o primeiro alvo para a expansão do Império Prussiano.

E, 1857, Christian IX é coroado rei da Dinamarca, e promulga uma constituição que reconhece que Schleswig é por direito parte de seu reino. Isso motiva uma intervenção armada por parte da Prússia e Áustria. Finalmente em 1864, a Dinamarca é derrotada, e através do tratado de Viena, Schleswig-Holstein é cedida aos vencedores. Em 1866, a região se torna finalmente parte do Império Prussiano, quando o então Marechal Otto Von Bismarck desafia a Áustria e começa projetar a Alemanha como um único estado soberano.

Durante esses anos, por causa da guerra, do consequente empobrecimento e também  motivos políticos muitas famílias resolveram deixar a região, procurando então reiniciar suas vidas no Novo Mundo, a chamada terra das oportunidades.

Desconheço a situação da família de Klaus Rehder e Magdalena naquele momento, mas baseado nos fatos históricos, creio que um certo anúncio de uma tal firma Vergueiro e Cia deve ter-lhes chamado à atenção, e plantado em seus corações o sonho de uma vida melhor.

Informações colhidas por Dr. Volker Rehder de Schleswig-Holstein , na Europa feudal, poucos eram os donos de terras...

E por serem descendentes de cavaleiros de Gehard o Grande, os Rehder provavelmente foram senhores feudais, e no decorrer dos anos tornaram-se  fazendeiros.... Isso até a rebelião de 1848-52, onde o exército dinamarquês  esmagou os movimentos de independência dos habitantes de cultura alemã.

Eis porque o nosso Claus não hesitar em sair de Holstein

Nossa família em Schleswig-Holstein

Claus Rehder e sua família eram todos provenientes de uma vila chamada Winseldorf na região de Kellinghusen/Steinburg.

De acordo com dados fornecidos por Dr. Volker Rehder(Alemanha), os primeiros relatos sobre os Rehder na área datam do ano de 1339, quando estes se estabeleceram na vila de Mühlenbarbek (que fica ao lado de Winseldorf). Naquela época o primeiro Rehder e seus filhos eram todos cavaleiros do exército de Gerhard o Grande.

Por serem cavaleiros, eram considerados nobres menores, e por isso agraciados com a posse de terras.Por possuirem terras e também pelo longo período de paz na região durante a Idade Média, os Rehder então passaram a ser fazendeiros, agricultores, carpinteiros.

A paz reinou até 1848, quando a outrora poderosa Dinamarca mergulhava numa crise política e econômica. A insatisfação nos ducados era grande e somava-se ao fato de que a maioria da população era claramente alemã.

Cria-se então uma rebelião pela independência e toda a população se engaja na luta. Mas mesmo contando com o apoio da Prússia e da Áustria, a rebelião é contida pelo exército dinamarquês.

Início de 1852, Schleswig-Holstein se vê ocupada por forças dinamarquesas, suecas, prussianas e austríacas. O futuro não parece ser muito promissor e a independência dos ducados longe de se concretizar.

Claus se opondo a dominação dinamarquesa, resolve então reunir sua família e partir para o Brasil. Heinrich, seu filho mais velho continua em Schleswig-Holstein por estar prestando o serviço militar e certamente deve ter participado do conflito..

Interessante lembrar, que anos mais tarde com a Alemanha já unificada, Claus,Magdalena, seu filho Jacob e sua nora Doris, retornaram a Schleswig-Holstein, e residiram na cidade de Quickborn( a 7 km de Hamburgo). E ali faleceram e estão sepultados em sua terra  sob um único estado Alemão.

 

Lembrando dos Pioneiros Um Século e Meio Depois

                                                                                                                                    Carlos Roberto Rehder

 

Em 1848, meus tataravôs não precisavam de encrencas. Claus Rehder e Magdalena Armbrust Rehder tinham que cuidar de onze filhos e do seu sítio em Winseldorf , uma aldeia no ducado de Holstein – logo abaixo de Schleswig – no extremo norte de que é hoje a Alemanha.

O problema é que os ducados de Schleswig e de Holstein, embora muito unidos e com povos majoritariamente alemães, faziam parte da Dinamarca. Seus planos de independência  se chocaram com os daquele reino; receberam o apoio da Prússia e teve início a uma guerra local, que se prolongou por três anos, envolvendo os interesses das grandes potências européias.

Depois de muita luta e de acordos diplomáticos que frustaram aqueles planos, os habitantes de Holstein estavam empobrecidos e também marginalizados. Muitos deles resolveram partir à procura de uma vida melhor. Mas, para onde?.

A maior riqueza do Brasil era o café, que dependia de trabalho escravo. Prevendo a abolição da escravatura e empenhado em substituir os escravos por imigrantes europeus, o Senador Nicolau Vergueiro mantinha em Hamburgo uma sucursal da “Vergueiro e Cia “, que firmou contratos de parceria com 36 famílias de Holstein – entre as quais a Família Rehder – destinadas a trabalhar na Fazenda São Jerônimo, localizada entre Limeira e  Mogi-Mirim e que pertencia a seu genro Senador Queiroz.

Em março de 1852 as famílias embarcaram no” Emily “, um veleiro com três mastros ancorado no porto de Hamburgo.

Pesando pouco mais que 500 toneladas, media 52 mt de proa a popa, 11ms de largura máxima e 7 ms de profundidade.

Construído em 1847 no estaleiro sueco de Gävle, ostentou o nome “Gevalia” at´r 1849, ano em que seu proprietário, Forssberg, o vendeu para August Schön & Co, armadores hamburgueses.

Conferidos todos a bordo, o capitão L.G.von Lübeck deu ordem para zarpar. Soltas as amarras, âncoras levantadas e a vela maior ao vento, o navio começou a descer o rio Elba, pilotado por Jacob Schnoor.

A disciplina era grande, a higiene precária. Com mais de duzentas pessoas a bordo, lutava-se contra a falta de espaço e a bagagem dos passageiros, empilhada por toda a parte, tinha roupas, ferramentas, às vezes alguma arma, publicações religiosas, obras de agricultura e material escolar.

Em beliches improvisados nos compartimentos de carga dormiam cinco pessoas, muito juntas e encolhidas. O ar era viciado porque não havia escotilhas, a escuridão permanente porque o perigo de incêndio impedia as velas acesas.

A comida era um pouco melhor do que a cama: pão, chá, carne salgada, toucinho, legumes, biscoitos, peixe fresco, cereais, massas de quando em quando e um pouco de aguardente ou de vinho usados para fins terapêuticos. Devido à alimentação imprópria e à água que se estragava, morreram trinta pessoas, a maioria crianças, nenhuma da Família Rehder. Exceto por essas perdas, tudo correu normalmente. A viagem naquele navio durou 59 dias, ótimo tempo na época, graças a ventos favoráveis.

No dia 10 de maio de 1852, uma segunda-feira, há exatamente um século e meio, a nave chegava a Santos. De repente o tempo mudou, ondas altas se ergueram do mar e manobras de atracação quase fizeram o “Emily” bater em outro navio. Depois que o perigo passou, o desembarque no cais do Valongo ocorreu sem incidentes.

À espera dos viajantes estavam José Vergueiro, filho do Senador Vergueiro, acompanhado de três alemães que depois serviriam de guias: o procurador Braun e seus ajudantes, Andréas e Nicolas Christ.

A viagem para o planalto começou no dia 13 de maio e foi bastante penosa. Ainda não havia trens em território paulista, de maneira que a bagagem, bem como as crianças pequenas, e as pessoas mais idosas e as que estavam muito fracas, foram acomodadas no lombo de  burro. Os demais seguiam a pé.

Primeiro foi percorrido o mangue mal cheiroso de santos, repleto de caranguejos, siris, e guaiamuns , que emergiam do lodo. A passagem por aquele lugar deixou do solo nativo uma péssima impressão e algumas mulheres choraram, lembrando com saudades de sua terra natal. Depois do pernoite em Cubatão, começou a subida da serra, cansativa e perigosa, através da floresta densa e envolta pela neblina. Foram necessárias três horas para vencer o aclive, íngreme e ladeado de abismos, o que deixou as pessoas ainda mais deprimidas. O pessimismo geral só desapareceu quando finalmente lograram chegar ao Alto da Serra. O céu havia limpado e viram a paisagem esplêndida, tendo ao fundo o Oceano Atlântico que haviam cruzado há pouco.

Agora com ânimo novo, os imigrantes retomaram a marcha. Alimentando-se cedo, na hora do almoço e à noite, percorriam de duas a três léguas por dia , parando para dormir nos pousos à beira da estrada. Passaram por São Bernardo, pela Árvore

Das Lágrimas e então pelo Ipiranga, ainda um desolado arrabalde coberto de mato rasteiro. No último pouso que havia antes da Capital, receberam as saudações do Senador Queiroz em pessoa, que viera visitá-los em companhia de amigos numa excursão a cavalo.

Em 17 de maio de 1852, a caravana chegou a São Paulo. Entrando pela Rua da Glória, a primeira visão da cidade não era muito agradável. À sombra da forca ao lado ficava uma necrópole, a única que existia e da qual só resta a capela: Cemitério dos Afflictos. Após o Becco Sujo (Rua Conde do Pinhal) e do Largo do Pelourinho (hoje Sete de Setembro), chegava-se ao da Cadeia (Pça João Mendes), à Rua da Casa Santa ( atual Riachuelo), sem vínculos com a Santa Casa, que ficava na Rua da Glória. Seguia-se à direita até o Largo do Capim, próximo ao de São Francisco, que depois o absorveu. Poucos metros dali, um sobradão colonial com oito  janelas de frente para rua de frente, São Bento,  e sete para a do Ouvidor (agora José Bonifácio),, moravam o Senador Queiroz e família. Ele, Dona Antonia Euphrosina e os filhos receberam em sua casa alguns dos recém-chegados os quais se encontravam doentes, cuidando para que ficassem totalmente restabelecidos. Os outros aproveitaram para fazer umas compras e conhecer a cidade.

São Paulo, naquela época, tinha quando muito, 23 mil habitantes, e os limites da cidade, não iam muito além do que hoje é o Centro. Pelas ruas mal traçadas, com lampiões a hidrogênio e alvas casas de taipa, passavam carros de boi e inúmeros escravos, leiloados semanalmente onde funciona agora a estação Anhangabaú do metrô. A Rua Direita era a mais elegante de todas, com lojas abastecidas de artigos europeus. Rara era a residência com aspecto agradável e numa que ainda existe, à Rua Roberto Simonsen, morava a Marquesa dos Santos.

O progresso chegava aos poucos, quase sem ser pressentido. Naquele ano e sem nome ainda, estava sendo aberta a Ladeira General Carneiro; inauguravam três obras que seriam muito úteis – uma penitenciária na Luz, no Bexiga um matadouro e um hospício localizado bem perto do Largo dos Curros (Praça da República) , onde uma tourada foi feita para comemorar o evento. Coisa de louco!...

No dia 19 de maio, a Ponte do Lorena sobre o córrego Anhangabaú foi cruzada pela grupo: começava a última etapa da viagem para Limeira. Passados o obelisco do Piques, a ladeira de mesmo nome ( Rua Quirino Andrade) e por fim o Becco Comprido (Av. São Luiz), a marcha prosseguiu pela estrada que daria em Jundiaí; próxima da que tinha sida a chácara do marechal Arouche, passava pela ponte sobre o ribeirão Pacaembu e pelas terras cuja dona, Teresa de Jesus Assis, vinha criando as perdizes que dariam nome ao bairro. Deixando para trás a Água Branca e uma ponte de madeira que transpunha o Tietê, foi preciso contornar uma encosta para ir ter no lugarejo denominado Freguesia de Nossa Senhora do Ó.

Continuando a caminhada, os viajantes puderam admirar o Jaraguá, a sucessão de vales e montes que se estendiam à frente, o rio Juqueri mais adiante e, algumas léguas além, a Serra dos Cabelos Brancos que as geadas coroavam, com pedrinhas rebrilhantes, nos dias gelados de inverno. Andando léguas seguidas, comendo onde era possível e dormindo nos pousos da estrada, passaram por Jundiaí e depois pelo povoado que teria um lugar importante na vida da família Rehder: Rocinha.

Ao chegarem em Campinas, nove daquelas famílias se despediram do grupo e rumaram para Sete Quedas, uma fazenda exemplar próxima da mesma cidade. Quanto às demais, inclusive os Rehder, tiveram que enfrentar nove léguas (59 km) de uma estrada estafante até a vila de Limeira onde finalmente chegaram em 29 de maio de 1852, ansiosas por começar a vida nova na Colônia Senador Queiroz, que estava sendo instalada na Fazenda São Jerônimo.

Só haviam casas prontas para dez  daquelas famílias , de modo que as outras sete ficaram temporariamente alojadas em ranchos existentes ali.

O sistema de “parceria a meia” que passaram a cumprir, apresentou bons resultados: deduzidas as despesas, o lucro de cada safra era repartido igualmente entre o dono da fazenda e os que nela trabalhavam. Como aquelas era bem equipada e gerida com competência, os colonos se aclimataram depressa e pelas cartas que remeteram  aos parentes no exterior, dava para perceber que eles estavam contentes. Isso desagradou certas pessoas na Europa e as críticas de alguns jornais, publicados em território alemão, aborreceram o Senador Queiroz, um homem justo e correto.

Defenderam-no Claus Rehder e os chefes das outras famílias, através de um abaixo-assinado aos fazendeiros de Schleswig-Holstein e a Junta que governava Berlim.

Claus Rehder e sua família ficaram por pouco tempo na Fazenda São Jerônimo. Com o dinheiro da venda de seu sítio em Winseldorf, foi comprado outro em Rocinha, antes uma plantação por onde os viajantes passavam entre Jundiaí e Campinas, hoje uma boa cidade denominada de Vinhedo.

Da casa onde se instalaram onde se instalaram, viram mais tarde passar antigos confederados que haviam deixado o Sul dos USA após a Guerra da Secessão. Recebem dois deles ali em 1868 com comidas típicas alemãs: Henry Farrar Steagall e sua jovem filha Pattie. Henry havia ajudado a estabelecer o estado do Texas; agora contribuiria para o nascimento da vila, hoje pujante cidade, com o nome de Americana.

Namoros e matrimônios vieram quebrar a rotina antes da Guerra do Paraguai. Como a família Rehder seguia a religião luterana, difícil era encontrar sacerdote que pudesse celebrar casamentos.

Assim Johann Friederich casou-se com Charlotte Loose na casa da  Rocinha em 24/4/1864 em cerimônia realizada pelo pastor prebiteriano Francis Joseph Christopher Scheider de Rio Claro .

E Wilhelm Rehder casou-se com Elisa Kühl também na Rocinha em 07/02/1868 em cerimônia realizado pelo Pastor Evangélico E.N.Pires de Campinas.

Todos os filhos de Claus Rehder que vieram para o Brasil, contraíram matrimônio aqui.

Com a casa vazia devido ao casamento dos filhos, Claus e Magdalena Rehder resolveram passar na Alemanha os últimos anos de vida, após terem morado aqui durante 23 anos. Seu filho Jacob a família quiseram partir com eles, que voltaram dez anos depois só para visitar os parentes. Seguiram para a Alemanha e hoje os restos de todos estão no cemitério de Quickborn.

 

O Contrato de Parceria

                                     (Por Cristiano J Rehder – Fornecido pela Família Asbahr de Limeira)

A família veio ao Brasil fazendo parte de uma leva de emigrantes composta de 36 famílias, perfazendo um total de 176 pessoas. O engajamento e o financiamento para o transporte de todas essas famílias  foram feitas pela firma Vergueiro & Cia sendo que 27 delas foram contratadas para trabalharem na Fazenda São Jerônimo de propriedade do Senador Francisco Antonio de Souza Queiroz, localizada ao lado de Mogi-Mirim, e as nove restantes tinham como destino a Fazenda Sete Quedas, pertencentes a Joaquim Bonifácio do Amaral.

Antes de partirem de Hamburgo cada um dos colonos assinava um Contrato de Parceria cujos principais itens eram:

1 – Todas as despesas de transporte de Hamburgo até o local de trabalho, seriam pagas a título de empréstimo, pelo fazendeiro, comprometendo-se o colono a devolver a importância gasta no prazo de 4 anos e se após esse prazo restasse débito, o colono teria que pagar 6% de juros sobre a soma que ainda estivesse devendo. A cobrança de juros tinha por finalidade obrigar os maus pagadores a saldarem seus débitos.

2 – Cada família, de acordo com sua capacidade de trabalho, recebia para tratar, um certo número de cafeeiros, e em paga, a família recebia a metade do café colhido.

3 – Casa, comida e roupas eram fornecidas pelo fazendeiro, até que o colono colhesse seus próprios mantimentos. As despesas com comida e roupas eram debitadas ao colono nos seguintes preços:

a)      alqueire de milho – 1 mil reis

b)       alqueire de arroz em casca – 1$000

c)      1 alqueire de feijão – 1$500

d)      1 alqueire de fubá ou farinha de mandioca – 1$500

e)      1 arroba de carne de porco ou toucinho, ou açúcar ou café – 2$000

f)        1 alqueire de sal – 2$000

g)      1 medida de rum – 480 reis

Um alqueire correspondia a 30 kgs.

Todos esses débitos deviam ser pagos no prazo de 4 anos e para facilitar esse pagamento fazia-se anualmente, um pequeno desconto no salário ganho.

4 – Cada família recebia gratuitamente uma área de terra de cultura, afim de nela fazer plantações próprias para colher mantimentos necessários à sua subsistência, podendo dispor livremente de tudo que colhesse.

5 – O contrato tinha duração de 4 anos e findo esse prazo e uma vez pagas todas as dívidas, o colono podia ir para onde aprouvesse ou então ficaria trabalhando na mesma fazenda.

O contrato explicava ainda algumas leis brasileiras de interesse para os colonos, como sejam:

O estrangeiro pode se naturalizar-se brasileiro, depois de estar dois anos no país.

Não é obrigado a fazer o Serviço Militar.

O naturalizado tem as mesmas obrigações e regalias que os brasileiros (menos o serviço militar) podendo ocupar qualquer cargo púbico, menos representante do povo na Câmara.

O comércio, a indústria e profissões são livres.

A saída e entrada no país com todos os haveres são inteiramente livres.

Há liberdade de religião e reconhecimento pela lei dos casamentos mistos.

 

Um jeito Rehder de Ser

                                       (Por Wilkie Rehder)

Esse texto sem dúvida me chamou à atenção ao me mostrar coisas que tenho em comum com outros Rehder, mesmo apesar da nossa diferença de gerações, do contexto em que vivemos, ou mesmo a nossa distancia geográfica. Tenho certeza de que você de alguma forma se identificará com o texto.

(Extraído do trabalho de pesquisa história e genealógica de Wilkie Rehder da cidade de Mococa).

                                                  Epílogo

Não posso deixar de,  tecer alguns comentário pessoais sobre todas as pessoas com quem tive a oportunidade de conviver nessa família, o que no meu modo de ver foi uma experiência extraordinária. Durante toda minha vida, e principalmente minha infância, eu convivi com um grande sentimento de união que não via em outras famílias. Todos os problemas eram encarados como problemas da família mesmo quando pessoais, e isso nos dava uma segurança e um sentimento de união indescritível. Essa união familiar foi sempre a meta que todos nós sempre procuramos alcançar, com muito respeito aos mais velhos e consideração entre nós.

Meu avô era muito rígido e nos educava, como minha mãe dizia, em regime militar, a disciplina era férrea e não admitia que sua autoridade fosse nem sequer questionada. Durante as refeições não se ouvia nem uma mosca voar, mas em compensação quando das reuniões familiares principalmente nas festas de fim de ano, a alegria era contagiante. Todos gostavam de uma cerveja, de muita musica  e sempre com muita dança. Todos eram exímios dançarinos e os bailes iam sempre pela noite a dentro até o amanhacer , com todos dançando sem parar, tanto os mais velhos como até as crianças. Nos bailes da cidade eram sempre os Rehder que dançavam melhor, conquistavam as moças mais bonitas e também os que mais brigavam, e como eram atletas na maioria  das vezes levavam a melhor. Foi assim que convivi com essa família e onde aprendi a reconhecer algumas qualidades que são sempre a nossa marca registrada. Em todos os Rehder sempre se encontrará uma grande generosidade, uma grande capacidade de amar, uma enorme fidelidade a seus princípios, um desprendimento para as coisas materiais que sempre se traduziu em auxílio aos mais necessitados, mas, uma característica é e sempre será, tenho certeza, a marca registrada dessa família, uma pequena teimosia... . Não discuta com um Rehder pois será muito difícil mudar sua opinião durante uma discussão, em outra ocasião, talvez.....

 

O Porquê da Genealogia

                                                       (João Rehder)

Citações inseridas na árvore genealógica de minha mãe:

Em nossos dias, nos países de elevada cultura social, as investigações genealógicas constituem uma importante secção das ciências históricas. São essas investigações que revigoram o culto da família, ligando o presente ao passado, pela herança de sangue e de tradições, que o respeito e a veneração recolheram num místico silencio .

No culto da família mantêm-se o patrimônio intelectual e moral que enobrecem as gerações passadas, exaltando as virtudes que continuam nos descendentes, fortalecendo a herança sentimental das gerações” (Dr.Jorge G Felizardo)

“ Alfim, tão a la vez é boa e doce a gente, e a terra, e tal folgança causa o aqui jazermos, que cremos, Deus que nos por aqui trouxe, certo que não foi sem causa” (Pero Vaz de Caminha).

“Quando, por experiência própria, conhecemos quantas fadigas, privações e perigos aguardam ainda hoje o viajante que se aventura por essas longínquas regiões e depois temos a narrativa das excursões intermináveis dos antigos pioneiros, ficamos como que estupefados, somos tentados a crer que esses homens pertenciam a uma raça de gigantes” (Saint Hilaire).

 

H E R Á L D I C A   F A M I L I A R

 

                                                                                         Cristiano José Rehder

 

Introdução

 

Na Europa da Idade Média, no calor das batalhas, viver ou morrer  dependia de saber distinguir o amigo do inimigo. Essa era uma tarefa difícil, com os cavaleiros cobertos por armaduras.

Assim cada combatente costumava decorar seu escudo e sua túnica com distintivo único, que o diferenciava dos demais. Surge então a heráldica, nome proveniente do inglês “heralds”, que eram os homens encarregados pelos reis para desenhar os brasões.

Arte que nasceu para atender a nobres e cavaleiros, expandiu-se com o surgimento dos reinos e cidades, onde cidadãos importantes recebiam sua cota de armas.

Praticamente todas as famílias de origem européia têm seu brasão registrado nos antigos livros de armas.

 

A Concessão das Armas

 

Brasão e armas são termos heráldicos de igual valor e significam o conjunto de insígnias hereditárias, compostas de figuras e atributos determinados, concedidos por príncipes e reis em recompensa por serviços relevantes. Podem  ainda indicar marca ou distintivo de linhagem premiada.

A idéia de usar símbolos é muito primitiva e na sua origem foi hieroglífica. Os primeiros de que se tem conhecimento eram religiosos e indicativos de profissão, geralmente gravados nos túmulos.

A origem do uso de símbolos heráldicos remonta à Idade Média, quando das Cruzadas.

Para distinguirem-se dos outros exércitos e até mesmo para facilitar a contagem dos mortos em batalha, os escudos eram pintados de certa cor ou com determinado símbolo. Ao retornarem dos confrontos ou de outro país, muitas vezes estes escudos eram enriquecidos com novos símbolos e cores.

Os símbolos como sinais de honra e nobreza, que passavam de pais para filhos, começaram a ser empregados nas armarias no final do século X, tendo sido regularizado o seu uso e aperfeiçoadas suas regras nos três séculos seguintes. Mas as regras precisas da confecção dos brasões e os termos próprios da heráldica somente foram estabelecidas ao final do século XV .

Seu apogeu na Idade Média deve-se ao apogeu da cavalaria, do romantismo na arte e da exaltação da família e da nobreza.

Posteriormente os símbolos e cores foram usados em torneios da cavalaria, evoluindo para o conjunto de símbolos  e cores concedidos por autoridades reais como recompensa por serviços prestados ou feitos heróicos. Os símbolos podiam ser transmitidos aos filhos e herdeiros, estabelecendo-se assim as linhagens. Com isso, nesta etapa da história da heráldica formou-se um corpo de nobreza com escudo de armas ou brasões, que raras vezes representavam feitos de guerras ou conquistas, mas sim o procedimento de antepassados mais ou menos diretos e algumas vezes indiretíssimos.

Quase ao mesmo tempo foram criadas as armas de ordem militares e religiosas, da classe política e judicial. Ao final das concessões, os brasões eram quase que exclusivamente outorgados a ocupantes de cargos políticos, pertencentes ao pequeno círculo da corte.

No Brasil a heráldica nasceu durante o Império Brasileiro e o uso dos títulos extinguia-se com a morte do titular. Os brasões eram concedidos a grandes fazendeiros, políticos e outros que, de uma forma ou de outra, prestavam apoio ou préstimos à Coroa.

 

Os Heraldos e os reis de Armas

 

O termo heráldica deriva de Heraldo ou arauto. A palavra Heraldo vem, segundo alguns autores, do alemão, her, heer ou hold, que quer dizer devotado, e segundo outros vem da raiz har da palavra alemã haren, que significa gritar ou chamar.

Os heraldos tinham a missão de anunciar publicamente os nomes dos concorrentes em torneios, levar declarações de guerra ou propostas de paz, contar e anunciar o número de mortos em batalhas.

Na Idade Média os heraldos eram oficiais de guerra e cerimônias, conservando-se esta atividade até o tempo de Carlos Magno. Pela sua importância social e política, o termo Heraldo foi substituído pela designação Rei de Armas e estes eram sempre escolhidos entre os heraldos mais antigos.

As incumbências dos Reis de Armas  eram zelar por brasões e títulos de nobreza, enfrentando usurpadores de títulos e armarias, publicar datas de celebração de festas e torneios entre as Ordens de Cavalaria, proclamar casamentos, dirigir solenidades e determinar colocação de insígnias e legendas nos túmulos dos príncipes.

O Rei Carlos VIII foi quem criou o ofício de Mestre de Armas, figura que tinha função oficial de regulamentar, no seu reino, o uso de brasões. Nas pompas fúnebres os Mestres de Armas trajavam-se com grande luxo, levando sempre em suas mãos um bastão de nogueira que simbolizava a importância de seu cargo.

 

 

A Heráldica como Ciência:

 

Para se confeccionar  um brasão de armas, há necessidade de se seguir determinadas regras rigidamente impostas desde tempos memoriais.

E assim se tornou uma ciência.

Apesar de ter passado por uma época em que a monarquia foi desaparecendo, ela então foi caindo em desuso, mas dentro das famílias que prestaram relevantes serviços ou atos heróicos no passado, tais histórias foram sendo passadas de pai para filho e assim foram motivos de orgulho e, portanto, as armarias começaram a ser relembradas.

Basicamente os brasões são formados de:

Escudo ( onde apresentam em seu campo as diversas figuras)

Elmo ( acima do escudo )

Cimeira ( adornos acima do elmo)

Suportes ( adornos ao redor do escudo)

Legenda ( nome de família ou frases alusivas, gravadas em uma fita abaixo do brasão).

 

Brasão da Família Rehder

 

Em nossa pesquisa, quando resolvemos estudar e pesquisar a Família Rehder , procuramos saber se haveria um escudo desta família.

Nossa primeira busca, foi recorrer a alguns sites na Internet a respeito de Heráldica, primeiramente aqui no Brasil e em especial, “Heráldica Pelotense” e a “Heráldica Guzenski”, de Gramado, RS . Estes dois sites me enviaram separadamente o Brasão dos Rehder exatamente iguais.

Não satisfeito, procurei “ The Historical Research Center” dos Estados Unidos, que me enviaram a origem do nome bem como a descrição do Brasão de Armas que não só era igual aos demais acima citados bem como correspondia exatamente ao que o primo Wilkie Rehder de Mococa possuía.

Recentemente fiquei sabendo de um Centro Heráldico em La Coruña – Espanha – e assim procurei informações sobre o Brasão da família e me enviaram o Brasão com as mesmas características dos demais acima, com pequena diferença nos seus adornos.

Comecei então a me interessar sobre o tema e acabei por adquirir um Tratado de Heráldica de nome “ ARMORIAL GÉNERAL” de J.B. Rietstap, um autor de origem holandesa que resgatou os brasões de armas de famílias, então esquecidos no tempo. Trata-se da obra mais completa sobre o tema até então escrita.

Nesta obra, estão todos os termos heráldicos bem como todos os nomes das famílias e ramos com seus respectivos brasões.

Quando nosso site na Internet estava pronto, e já com o brasão dos Rehder ali instalado, recebi de nosso primo Sandro Rehder, que se encontra na Austrália, um novo brasão.

 

 

 

 

Brasão enviado pela Heráldica Pelotense

Brasão enviado por Heráldica  Guzenski

Brasão enviado pelo Historical Research Center - USA

 

Brasão enviado pelo Centro Heráldico de La Coruña 

 

 

 

Durante o Encontro da Família Rehder aqui em Poços de Caldas de Caldas em 10 de maio de 2002, nossa prima Helga Rehder de Sorocaba, me chamou a atenção para o fato de que seu pai, por volta de 1954 tendo ido à Alemanha, trouxe um brasão dos Rehder, completamente diferente daquele que então estava no site e assim logo me enviou uma foto do mesmo que se encontra há muitos anos em sua casa.

Mais recentemente, o primo Sandro Rehder, da Austrália, em contato com Volker Rehder, um primo que mora em Holstein, Alemanha e que parece ser  de nosso ramo, nos enviou um novo brasão que foi concedido a Hans Rehder nascido em 1590 em Mühlenbarbek e registrado em Berlim no “Die Veröffentlichung de Wappens duch die Deutsche Wappenrolle”. Por sermos  descendentes deste mesmo Hans Rehder, temos o direito de uso do mesmo pelo ramo Brasileiro.

Assim o “espírito de curiosidade” e de pesquisa que me deslumbra ao estudar a nossa família., fez com que eu adquirisse a obra mais completa de Heráldica que é o ARMORIAL  GÉNÉRAL ET DICTIONNAIRE DES TERMES DU BLASONS de J.B.RIETSTAP para que tivesse idéia e parâmetros sobre os diversos brasões que possuíssem o nome REHDER.

E dentro do meu pobre conhecimento de “francês” ( a obra é holandesa e escrita em francês), eis o que encontrei:

 

REHDER: Segundo Johan Baptiste Rietstap, em seu “ Armorial General” , este é um nome de origem germânica. Os registros mais antigos que os Rehder possuem, se encontram na Pomerânia, Áustria e Prússia .

Na Pomerânia foram nobres do Sacro Império em 1749.

Os Rehder se estenderam para a Estonia e Robenhabn (Dinamarca) e emigraram para os Estados Unidos e Austrália.

Thomas Rehder chegou à Virginia em 1656; Alfred Rehder, que nasceu no ano de 1863, foi um botânico alemão; Peter Hinrich Rehder (1791-1854) foi senador na Alemanha; Theodore Rehder, que nasceu em 1873, foi banqueiro.

ARMAS: Em um campo de ouro, um cervo rampante ao natural.

               Cimeira: o cervo nascente entre asas

               Lamberquines: ouro e amarelo

Bibliografia: J.B.Rietstap, tomo 33,p. 535

 

REDER – Pomerania – a descrição do brasão é exatamente igual ao anterior já descrito.

 

 

REDERN  ou RODERA– Prússia ( Conde – 11/01/1737)

Armas – Escudo em vermelho e prata dividido por rodas das mesmas cores e alternadas laterais.(cores de Holstein)

              As rodas são denteadas como engrenagens, ou rodas d’agua também conhecidas como “rodas de dinheiro”.

              Cimeira : Elmo em prata com as duas rodas acima descrita, uma em prata e outra em  vermelho

             Lamberquines: vermelho e prata.

Obs.: Brasão que coincide com o que o primo Volker Rehder nos enviou.

 

 

 

 

 

REDERS – Hamburgo

                   Escudo em prata onde se vê um cervo rompante de cor de areia em um terraço verde (novamente o cervo)

 

REDERN  ou RODERA – Bradenbourg

                     Elmo em prata, com 4 ramos de plumas acima alternadas em azul e prata..

Escudo de cor azul com três estrelas em prata.

Este brasão corresponde a um dos escudos que o primo Sandro me enviou.

 

 

 

 

                  

 

                                        

 E, por fim,

 

REDERN ou RODERA – Silésia

Brasão em vermelho e prata ( cores de Holstein)

Escudo em vermelho contendo um coração prateado de onde emerge uma cruz dourada, entrelaçada com um triangulo prateado. No lado direito, um círculo em prata. Acima do elmo em prata e entre asas, encontra-se a cruz dourada; nas asas se encontram o círculo e o triangulo (símbolos maçônicos)

Este brasão foi me enviado pela prima Helga Rehder de Sorocaba, trazido da Alemanha por seu pai em 1954.

 

 

 

.          


CONCLUSÃO

 

Se puder emitir alguma conclusão:

O sobrenome REHDER e suas derivações, é de origem muito antiga, sendo que remonta à Idade Média.

Seus ramos familiares foram todos nobres ou prestaram relevantes serviços à Coroa ou à região onde se estabeleceram e, por isso, possuem seus Brasões de Armas.

Todos ele trazem símbolos próprios da região onde se estabeleceram.

Mas um me chamou mais a atenção: o último, enviado pela prima Helga – seu principal símbolo ( a cruz ) , é próprio das Cruzadas (Frederico Barba Roxa, rei da Alemanha foi o idealizador da 3a Cruzada) e seus outros símbolos contidos neste brasão , o triangulo ( representando a Trindade Santa) e o círculo ( o princípio )  mostra que este brasão seguramente pertencia a um cavaleiro da ORDEM DOS TEMPLÁRIOS .

 

A TODOS OS PRIMOS, COM MUITO CARINHO.

 

Cristiano Rehder

 

 

 

DEDICATÓRIA

 

Pensando nas nossas origens, mescladas pelo colorido de vários povos, com costumes, línguas e crenças diferenciadas, resolvi dedicar uma pequena parcela de meu tempo a pesquisar sobre os antepassados, pois segundo Francis Bacon, “ a leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão”.

 

Estes originaram  da Alemanha, talvez pessoas simples,  que aqui vieram para alcançar e realizar seus sonhos, sejam eles de liberdade, espírito aventureiro mesclado com a ânsia de encontrar riquezas ou simplesmente de fugir de governos totalitários.

Não se trata de um trabalho acadêmico, rigoroso, mas simplesmente uma pesquisa sobre a ascendência e descendência  do nosso variegado clã familiar de que as gerações futuras saibam um pouco mais sobre aquelas que os precederam.

 

A todos que me estimularam a escrever sobre nossos ancestrais, notadamente a tia Alice, cuja mania de guardar coisas velhas é motivo de brincadeiras na família; à minha mãe Maria Tereza, que contava vários casos referentes ao avô Christiano; aos meus filhos a quem deixo este singelo legado; à minha esposa que é muito crítica, corrigindo meus erros ortográficos; ao Fritz, mago do computador a quem recorro  nas horas do desespero; ao Grande Arquiteto do Universo que concedeu-me vida e saúde para chegar até aqui.

                                                                                                       

                                                                               Cristiano José Rehder

 

“ BEKLAGE  NIE  DEN  MORGEN  DER  MÜH’  UND  ARBEIT  GIBT 

ES  IST  SO  SCHÖN  ZU  SORGEN FÜR  MENSCHEN  DIE  MAN  LIEBT “

( “ Nunca reclame do amanhecer, que nos dá força e vontade para o trabalho. É maravilhoso

prover as pessoas a quem se ama”).

Palavras deixadas por Guilherme Rehder  em um quadro para seus descendentes.

 

 

REGIÃO DE  STEINBURG EM SCHLESWIG-HOLSTEIN – NORTE DA ALEMANHA

 

 


Mapa da região de STEINBURG , em Scheswig-Holtein onde se encontram as cidades de Winseldorf (Klaus Rehder) , Breitenburg (Magdalena Rehder) e a cidade de Quickborn ( onde Klaus e Magdalena faleceram ). 

 

 

Descendentes de Hans Rehder


Índice

                                                                     

                                                         AGRADECIMENTOS

 

A todos aqueles que direta ou indiretamente me auxiliaram nesta pesquisa

" Devemos conhecer o nosso passado, para sabermos o que queremos do nosso futuro "

 

                                                                Carlos Jose Rehder

Eduardo Silveira

Germano Nicolau Rehder Neto

Germano Rehder

Jaime Splettstoser Junior

João Rehder

Laura Elisa Rehder

Luciane Stahl

Neusa Von Ancken

Maira Rehder Cedro

Maria Inês B Cornacchioni

Maria Silvia de Souza Rehder

Maria Tereza Medeiros Rehder

Mario Rehder( Zuza)

                                                                    Sandro Rehder

Sylia Rehder

Victor Rehder

Volker Rehder (Alemanha)

Waldete Maria Corrêa Rehder

Wautraut Rehder

Wilkie Rehder